À luz dos ciclos de desenvolvimento pessoais, sem perder de vista os traços de caráter mais marcantes do cliente e com a aplicação de técnicas seguras de previsão astrológica, podemos identificar as épocas em que sua percepção estará alterada e deduzir com a sua ajuda a qualidade de momentos determinantes de sua vida, quando eles acontecerão e qual a sua duração. Podemos, ainda, discutir com o cliente as linhas gerais de uma preparação psicológica ou pedagógica que lhe possibilite lidar eficientemente com essas épocas e tirar o melhor proveito delas.
O cliente conscientemente sabe, ou inconscientemente deseja e espera, que a consulta astrológica seja oracular. Como todo o oráculo é por natureza dúbio e carrega visceralmente falta de credibilidade, o cliente já aceita, a priori, que as previsões oraculares podem dar errado e portanto não as leva muito a sério e só raramente cobra por algum erro.
Esse aspecto da consulta astrológica associado ao caráter interdisciplinar da Astrologia, acarreta que o astrólogo se ache obrigado ou capaz, (o que é mais grave), a dar consultoria sobre tudo sem a cobrança do erro. Também pela mesma razão, alguns astrólogos têm a pretensão, que considero abusiva, de revelar aos seus clientes o sentido último e cósmico de suas vidas, tendo como fundamento uma interpretação finalística ou cármica de seus horóscopos.
Acredito que isso tudo se deva a uma degeneração de um elemento legítimo da astrologia tradicional e antiga, chamado inspiração espiritual, atualmente confundido com as mais grosseiras manifestações do psiquismo inferior, mas existente na época em que esta ciência podia ser chamada legitimamente uma ciência sagrada, pois se inseria de modo coerente e completo dentro da doutrina e das práticas espirituais de uma tradição viva.
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